Objetividade e subjetividade na história e no meu projeto de pesquisa
A partir do texto de Roberto Mendes Ramos Pereira: "Os desafios da História (Política) do Tempo Presente", se deprende uma análise ampla do problema objetividade versus subjetividade na história, com prós e contras interessantíssimos. Coloca problemas da história "passada" ou tradicional, como a busca cuidadosa dos fatos e documentos históricos que retratam um recorte da realidade passada que se pretende estudar e aporta também com a necessidade do historiador saber abordar os seus insumos históricos de forma a balancear os fatos, as pessoas, o aspecto social da época e bem localizar o objeto do estudo tentando não condicionar a descrição dos fatos ou as explicações dos processos históricos às suas próprias abordagens contemporâneas, ideológicas e subjetivas, incorrendo assim em um erro comum, que se somado à escassez de material e dificuldade de pesquisa, torna o conhecimento histórico duvidoso e afastado da história como disciplina científica.
Mas um dos principais aporte do texto não é tratar da história passada e sim da História Presente e da História (Política) Presente privilegiando o recurso abundante da oralidade, ou seja , dos depoimentos orais das pessoas em pesquisas e entrevistas. É ai que a discussão da objetividade e subjetividade fica abundante no debate. Tal como os problemas da história passada, a História Presente e dentro dela a História Política se depara com um possível paradoxo, que facilmente é diminuido em sua importância que é o advento do historiador conviver no mesmo espaço e tempo que seu objeto de estudo, qual seja o ator que faz a história. O historiador é ao mesmo tempo pesquisador e "cumplice" dos costumes, padrões sociais, modismos, enquadrado na gama de interesses sociais, possui posições políticas e intelectuais concorrentes ou não com os atores objeto das pesquisa e isso tudo sugere fortemente que a condução dos trabalhos de pesquisa e explicação historiográficos podem estar comprometidos gravemente pela sua subjetividade (é muito difícil uma pessoa medir a própria pressão arterial com o estetoscópio, não é mesmo?);
As mudanças de paradigmas historiográficos verificados a partir de meados do sec. XX e como o texto coloca, a partir da década de 1970, retomada de uma nova História Politica irmanada com as ciências humanas, dão impulso à historiografia do Tempo Presente recuperando o papel dos personagens e da narrativas individuais, que por um grande período foram substituidas pelas definições abstratas de "massa", 'coletivos' e 'processos globais', atribuidas as concepções marxistas, conforme o autor.
No texto há uma valorização destacada da possibilidade de se realizar na História Presente os aspectos metodológicos e científicos de imparcialidade, coleta de dados representativos, explicações coerentes e racionais, etc., que se idealiza para a história tradicional mas que lá não se consegue, porque passam pelos filtros do tempo, da precariedade, da fragmentação dos processos e pelo filtro também das limitações e interpretações pessoais do historiador. Disso tudo decorre uma opinião deste blogueiro que é a de que a objetividade absoluta não existe nem na história nem em qualquer ciência. Mas que os métodos, técnicas e análises racionais surgidas das capacidades humanas e científicas podem criar recursos e condições adequadas de abordagens metodológicas na pesquisa histórica e científica, inclusive nas ciências humanas, que podem sim minimizar os erros e vícios carregados pelo lado subjetivo do pesquisador.
O meu projeto de pesquisa aponta como seu móvel e objetivo, o desnudamento do motor subjetivo, social, tendencioso, econômico e político da produção da C&T (ciência e tecnologia); a fragilidade e precariedade histórica da objetividade das ciências naturais e o resgate das características científicas das ciências humanas, entendendo que o seu objeto de pesquisa são as pessoas, a sociedade e toda a sua produção social o que inclui a própria ciência e tecnologia e por aí quer discutir a objetividade dos métodos, critérios e valores cognitivos próprios das humanidades, que não pecam por ter aspectos qualitativos e analíticos e lidar com objetos que são humanos e não uma relação matemática.
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