Em relação à perspectiva externalista da historiadora Regina Morel, nossa proposta de projeto tem muita identidade.
Embora também buscaremos as comparações internalistas ou conceituais que na história das ciências, privilegia o lado interno da teoria científica, qual seja seus critérios metodológicos, seus valores cognitivos, seus axiomas, leis e hipóteses, características de imparcialidade, etc., para resgatar a cientificidade das ciências sociais ou humanidades, valorizando os seus métodos e ao mesmo tempo mostrando a falibilidade "sistêmicas" da ciência e da C&T, verificada no processo histórico --- também levantaremos a abordagem histórica externalista das motivações econômicas, políticas e sociais da ciência e tecnologia, que hoje ditam as regras e os caminhos da pesquisa científica, mostrando que ela não é neutra e sim, está a serviço de interesses materiais de grupos sociais que detem o poder econômico ou político. Então desse ponto de vista, o nosso tema tem muita identidade com o texto de Regina Morel.
A análise externalista da autora, se utiliza da metodologia marxista para localizar a C&T no mundo contemporâneo e em seu livro Ciência e Estado, a política científica no Brasil, coloca claramente que a ciência e tecnologia estão a serviço do Estado e das classes dominantes, fazendo parte das estruturas dinâmicas da sociedade.
Na introdução a autora descreve o fenômeno da "Big Science", substituindo o cientista individual, do laboratório próprio, e do inventor abnegado. A "Big Science" é a ciência contemporãnea onde o que prima é a produção científica em larga escala, com pesquisadores organizados em instituições, grandes laboratórios industriais e no próprio Governo, fazendo parte das estruturas dinâmicas da sociedade, perseguindo fins científicos e tecnológicos orientados por demandas econômicas e políticas.
Podemos entender então, que essa nova abordagem em ciência e tecnologia, se tornou condição necessária aos Estados Nacionais e grandes corporações capitalistas porque se tornou base para as capacidades geopolíticas e militares dos Estados e também como diferencial econômico e estratégico das empresas capitalistas.
Na página XVIII de seu livro, Morel se refere à dominação do paradigma da superioridade das ciências naturais em relação às demais formas de saber científico ---o que inclui as ciências sociais e humanidades --- como consequência da política científica contemporânea. Em mais esse aspecto, sua perspectiva marxista de historiadora da ciência é reconhecida em nosso projeto de pesquisa.
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